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"Basalto", características litológicas e suas aplicações como materiais de construção.

Akihisa Motoki; Lóris Lodir Zucco; Thais Vargas; Josée Luíz Peixoto Neves; Aline Ferreira; Nonato Costa Júnior; Leandro Adriano (DMPI/UERJ)

Bol. Res. 41º Congresso Brasileiro de Geologia, AAA. 17 a 21 de Novembro de 2004, Araxá, MG.
Apresentação em pôster



Resumo

Na Região Sul do Brasil (RS, SC) ocorre uma família de rochas utilizada como material de construção, denominada comercialmente de “Basalto”. Apesar das diversas aplicações na construção civil, grande importância econômica, e crescente contribuição social, o Basalto é pouco conhecido nos outros estados. Esta rocha é, na verdade, de composição riolítica a dacítica no sentido geoquímico, tufo soldado (welded tuff) no sentido litológico, depósito de fluxo piroclástico (pyroclastic flows), originados de violentas erupções vulcânicas explosivas que ocorreram no início do Cretáceo na Namíbia, no sentido vulcanológico e, a Unidade Palmas no sentido estratigráfico. A espessura total dos fluxos piroclásticos é cerca de 350 m na região costeira, tornando-se gradativamente menor à oeste. São reconhecidas, pelo menos, 5 unidades de resfriamento (cooling units) com espessura individual pouco superior a 50 m.

Aspectos litológicos das rochas e suas utilidades são variáveis dentro de uma unidade. A parte basal é composta por um tufo soldado com aspectos similares à obsidiana. Esta parte é caracterizada pela presença de disjunções colunares e a rocha é fisicamente frágil. As partes média e superior da unidade possuem poucas disjunções colunares, sendo mecanicamente resistentes. Em algumas localidades, existem fraturas suborizontais altamente desenvolvidas, onde ocorre a maioria das pedreiras. Devido à firmeza da rocha junto com a facilidade de extração, esta parte é útil como explotação para materiais de construção. Aproveitando as fraturas horizontais, as rochas são cortadas manualmente com talhadeira e martelo para produzir as placas para pavimentação de pisos e calçamentos, denominada “laje” (tamanho típico de 40x40x6 cm). Certos locais sem fraturas suborizontais, as rochas maciças são retiradas para fazer pedras para alicerces (18x25x50 cm), paredes e paralelepípedos (10x10x20 cm). Uma parte deste material é fatiada e polida, como no caso dos granitos e mármores. Os retalhos são transformados em britas para construções civis.

O Basalto é utilizado também para usos ornamentais. A cor geral da rocha é de cinza-escura (Brightness=45), porém, o intemperismo parcial, decomposição dos minerais máficos e a infiltração da água subterrânea dão a rocha uma ligeira coloração variando de amarelo-claro, violeta a vermelho-escuro. Junto com a rocha fortemente preta da parte inferior da unidade do resfriamento (Brightness=18), elas são utilizadas na construção de paredes multicolores. Peculiarmente, o Basalto é utilizado para construção de um depósito de envelhecimento de vinho, conhecido regionalmente como “Cantina”, tendo como finalidade manter um ambiente com baixa temperatura e alta umidade durante todas as estações do ano.

Além dos materiais de construção, o Basalto é empregado artisticamente. Em Nova Prata, encontram-se monumentos, objetos como mesas e cadeiras, cinzeiros, porta canetas, etc. Peculiarmente, são utilizados como “quadros” de pseudofósseis, que são originados pela percolação das águas contendo óxidos e hidróxidos de ferro e manganês ao longo das fraturas.

Atualmente a cidade de Nova Prata, RS, e demais 16 municípios vizinhos possuem mais de 400 pedreiras de “Basalto” em operação, sendo que a maioria delas são explotadas em escala familiar, sendo somente cerca de 12 que representam uma escala de explotação industrial.


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