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Análise tipologia e datação U-Pb em zircão por LA-ICPMS do granito e tufo soldado encaixante do Complexo Granítico Intrusivo de Lavras do Sul - RS.

Motoki, A. 1) Orihashi, Y. 2), Silveira, M.M. 1), Neves, J.L.P. 1), Loureiro, D.D. 3)

1) Department of Mineralogy and Petrology, Rio de Janeiro State University (DMPI/FGEL/CTC/UERR). Rua Sao Francisco Xavier 524, Sala A4023, Maracana, Rio de Janeiro, ZC 20550-990, Brazil.
2) Earthquake Research Institute of the University of Tokyo, Japan.
3) Department of Oceanography, Rio de Janeiro State University (OCN/IG/CTC/UERR).

Anais de XLI Congresso Brasileiro de Geologia, 500-501. Joćo Pessoa, setembro, 2002.


O Complexo Intrusivo Granítico de Lavras do Sul situa-se a cerca de 300km ao oeste de Porto Alegre. O corpo granítico ocorre na forma circular com diâmetro aproximado de 9km, ocupando uma área de 75km2, sendo intrusivo nas rochas metassedimentares (SE) e no tufo soldado (NW). Observam-se as feições características de topo de intrusão rasa, tais como heterogeneidade litológica e ocorrências freqüentes de pegmatito. Na zona de contato nordeste encontram-se os depósitos auríferos. Geoquimicamente, o granito é classificado como da série shoshonítica, cujo magma foi originado diretamente do manto.

Foi realizada uma análise na tipologia do zircão segundo o método de Pupin (1980) em seis amostras de monzogranito (3b), com cerca de trinta grãos em cada amostra, para obter os índices T e A. Os cristais são de tamanhos sub-milimétricos (0,1 a 0,5 mm), incolores a amarelados, de forma bi-piramidais, sendo classificados predominantemente como D, P4 e P5. De acordo com Pupin (1980), interpreta-se que os magmas graníticos são origem mantélica de alto teor em álcalis.

Foi confirmada a existência de 16 fluxos de lava, com suas espessuras variáveis. Na parte inferior da escarpa, a partir da lava 1 (850m de altitude na base) até lava 10 (1132m na base), a espessura das lavas é, em geral, relativamente pequena, sendo em torno de 30m. Na parte superior, a partir de lava 11 (1178m) até 16 (1434m), a espessura aumenta sendo em torno de 50m. Em ambos os casos, as espessuras são maiores do que as dos derrames típicos de aa lava basáltica. Sobretudo, as lavas 11 e 12 possuem cerca de 90m de espessura. O fato indica alta viscosidade do magma em relação ao típico magma basáltico. A textura geral da rocha é afírica, não encontrando fenocristais a olho nu, indicando que o referido magma não se fracionou muito a partir do magma primário. As disjunções colunares observadas nas lavas são menos desenvolvidas do que no caso do sill, com intervalo médio de 1m.

No Earthquake Research Institute, the University of Tokyo, Japão, foram realizadas as dataçções geocronológicas pelo método U-Pb em pin-point, com auxílio de LA-MC-ICPMS (laser ablation ICP mass spectrometer. Este espectrômetro de massa é composto de emissor de laser Y AG com lente Chicane, possibilitando um diâmetro mínimo da cratera de 15 a 20 mícrons, com detectores multi-coletor. Atualmente o aparelho está sendo utilizado para análises isotópicas de 238U/206Pb, 235U/207Pb, 206Pb/207Pb e análises químicas de U, Th, Pb e elementos terras raras (REE) em minerais. A confiabilidade nas análises de REE foi confirmada por meio das análises de ativação por nêutron (NAA). Entretanto, a medida de 235U/207Pb pode se apresentar com um valor superior ao normal, mostrando os dados analíticos como se estivessem em discórdia.

No total, foram analisados 6 grãos de zircão, 2 do granito e 4 do tufo soldado. Todos os dados do granito em 18 pontos totais analisados caíram no lado direito da curva ideal no diagrama de concórdia. As idades calculadas com base na proporção 238U/206Pb são do evento de collage continental pan-africana, que foi o processo de formação do supercontinente West-Gondwana: para o grão 1, 838 ± 62, 728 ± 54, 713 ± 52, 677 ± 50, 703 ± 52, 731 ± 54, 707 ± 52, 605 ± 44, 753 ± 55 Ma; para o grão 2, 655 ± 48, 759 ± 56, 712 ± 53, 650 ± 48, 633 ± 47, 624 ± 46, 659 ± 48, 721 ± 53 Ma.

Os dados do tufo soldado adquiridos de dois grãos (grãos 3, 4) em 8 pontos totais apresentaram idades mais antigas do que a Orogenia transamazônica. Aproximadamente a metade dos dados caiu sobre a curva da concórdia. As idades calculadas são: para o grão 3, 1974 ± 213, 2104 ± 227, 2498 ± 269, 2616 ± 282 Ma e; para o grão 4, 2409 ± 261, 2193 ± 237, 2.367 ± 256, 2395 ± 228 Ma. Acredita-se que estes grãos são de origem detrítica provenientes do embasamento. Interpretando os dados do grão 3 que caíram fora da curva da concórdia como pertencentes à linha de discórdia, a idade deste grão seria de 2600Ma, correspondendo à do micro cráton Luís Alves.

A metade dos dados do grão 5 caiu na proximidade da concórdia, com as idades calculadas em: 703 ± 54, 601 ± 46, 638 ± 49, 672 ± 51, 662 ± 50 Ma. Considerando os dados fora da concórdia como da discórdia, a idade deste grão corresponde a 620Ma. Os dados do grão 6, também da mesma rocha, caíram fora da concórdia, e as idades calculadas são mais jovens: 597 ± 45; 514 ± 39; 490 ± 37 e 575 ± 44. Os grãos 5 e 6 são interpretados como originados do magma do próprio fluxo piroclástico.


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