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Observações litológicas e do modo de ocorrência das rochas, pedra pomes e cinzas do Vulcão Lautaro, Patagônia chilena

Motoki, A. 1); Naranjo, J.A.2); Orihashi, Y.; 3), Hirata, D.; 4), Hosono, T.; 5), Cario, F.D.1); Anma, R.5)

1) Department of Mineralogy and Petrology, Rio de Janeiro State University (DMPI/FGEL/CTC/UERR). Rua Sao Francisco Xavier 524, Sala A4023, Maracana, Rio de Janeiro, ZC 20550-990, Brazil. 2) Servicio Nacional de Geologia y Mineria, Chile, 3) University of Tokyo, Japan, 4) Kanagawa Province Museum, Japan, 5) Tsukuba University, Japan.

Anais de XLI Congresso Brasileiro de Geologia, 603. João Pessoa, setembro 2002.


O vulcão Lautaro situa-se na Patagônia chilena, 49°01.4’S, 73°32.5’W. Este vulcão pertence à Zona Vulcânica Austral (AVZ), situada ao sul do da junção tríplice do Chile (CTJ), em 46.5S, onde ocorre a subducção da cadeia meso-oceânica Chile. Os vulcões da AVZ são caracterizados pela composição adakítica (Stern and Killian, 1996). Dentro da AVZ, o Vulcão Lautaro é o é mais próximo ao CJT, portanto, as pesquisas geoquímicas e petrológicas terão uma grande contribuição ao esclarecimento do processo da formação da crosta continental juvenil, como uma analogia moderna dos magmatismos arqueanos.

O acesso ao vulcão Lautaro é extremamente difícil, devido a sua morfologia acidentada e condições climáticas muito desfavoráveis. O edifício vulcânico está coberto por geleiras e neve, formando um planalto de 3380m de altitude. Estas condições impossibilitam uma amostragem de rochas em  variedade e quantidade satisfatórias. No dia 28 de fevereiro de 2002, os autores amostraram os materiais eruptivos do referido vulcão a partir dos depósitos glaciais com o auxílio de um helicóptero.

No flanco ocidental do vulcão ocorre "Glaciar Lautaro", originado do topo do edifício vulcânico e terminando em um fjord no nível do mar. As paredes laterais da erosão glacial expõem o embasamento composto de rochas meta-pelíticas de baixo grau intrudidas por granito. Uma morena terminal jovem com alto relevo na superfície contem muitos blocos arredondados de rochas vulcânicas. Foram coletadas 32 amostras de dacito andesítico de textura porfirítica, caracterizadas por abundantes fenocristais de plagioclásio e hornblenda. Foi encontrado um bloco com disjunções prismáticas peculiares, indicando sua origem de um domo de lava colapsado. Ocorre uma outra morena com sua superfície lisa com seixos aproximadamente de 50cm, compostos de dacito andesítico. Nesta morena, foram coletadas 3 amostras.

As rochas vulcânicas amostradas são: 1A) dacito com abundantes fenocristais de Pl (plagioclásio) e Hb (hornblenda), o tipo mais abundante; 1B) dacito com abundante Pl e menor quantidade de Hb; 1C) Hb dacito com inclusões máficos, com a mesma massa fundamental da amostra 1A; 1D) Hb dacito com menor quantidade de fenocristais, mais alterado do que as 1A, 1B e 1C; 1E) Hb dacito com massa fundamental hialocristalina; 1F) Hb dacito vítreo com abundante Pl e menor quantidade de Hb, com textura de bombas de “bread crust bomb”; 1G) Hb dacito vítreo com textura riotaxítica; 1H) Hb dacito vítreo com abundante Pl e menor quantidade de Hb, o mais alterado destas rochas; 2A) dacito com abundantes fenocristais de Pl e Hb, similar à 1A; 2B) dacito com abundante Pl e menor quantidade de Hb, similar a 1B.

No flanco oriental, ocorre “Glaciar O´Higgins”, cuja parede lateral expõe as rochas do embasamento. A morena lateral tem superfície acidentada contem meta-pelito e granito, porém nenhuma rocha vulcânica. Na superfície da geleira, foram coletadas pedra pomes e cinzas vulcânicas originadas de erupção recente. As pedra pomes têm seu tamanho típico de 2~3cm, em máximo 7cm. A cinza vulcânica cobre o flanco ocidental das saliências triangulares de gelo, denominado “dirt cone”. Observa-se existência de várias camadas de cinza no gelo. Considerando a alta velocidade do fluxo da geleira, 700m por ano, os depósitos vulcânicos são de menos de 50 anos de idade e, portanto, o Lautaro é um vulcão muito ativo.


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