Make your own free website on Tripod.com



Granitos ornamentais

As rochas ornamentais comercialmente mais importantes são os "granitos" e a maioria destas foi produzida nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Certos "granitos" ornamentais do Brasil são famosos até no exterior. Além de ter beleza visual, são as rochas mais resistentes, não perdendo o brilho de polimento durante longos anos. Desta forma, desde os tempos antigos os "granitos" são tratados como material de luxo na construção. Sobretudo, os "granitos" coloridos são muito procurados no mercado. Como por exemplo, as tumbas dos faraós das pirâmides do Egito foram construídas com "granitos" e o corpo principal das pirâmides, com calcários.

Os "granitos" explotáveis ocorrem tanto em matacões quanto em afloramentos. Os matacões de rochas graníticas com tamanho acima de 2m, muitas vezes, não são blocos rolados, mas sim, in situ. Portanto, após a retirada dos matacões, aparece o afloramento composto da mesma rocha (Fig. 4). A explotação de matacões tem menor custo, necessitando menor capital inicial para a produção. Portanto, a maioria dos "granitos" ornamentais brasileiros estão sendo explotados a partir do corte de matacões. Por outro lado, a explotação dos afloramentos necessita de maior capital inicial, equipamentos e tecnologia, sendo assim, encontram-se sob a forma de grandes pedreiras de escala empresarial (Fig. 5).



A
B

Fig. 4 - A) Ilustração esquemática de matacões in situ de rochas graníticas; B) explotação de matacão do Granito Cinza Andorinha, Andorinha, Município de Magé, RJ.



A

B
C

Fig. 5 - Evolução da explotação por meio da escavação no afloramento do Granito Inada, Município de Kasama, Província de Ibaraki, Japão, segundo Associação de Indústria e Comércio do Granito Inada (2000): A) em torno no ano 1910; B) em 1925; C) em 2000.



A maioria dos "granitos" ornamentais do Brasil, sobretudo álcali feldspato granito, do campo 2 da classificação da IUGS (Streckeisen, 1976), de cor vermelha e cor de rosa, ocorre nas zonas de colisão continental. As referidas zonas foram formadas no final do Precambriano durante o evento do collage continental, ou seja agregação de pequenos continentes, que resultou o Supercontinete West-Gondwana (Fig. 6). Muitos dessas rochas quimicamente pertencem ao tipo A, isto é, tipo anorogênico, e ocorrem formando pequenos corpos intrusivos. Este argumento científico pode ser um importante guia para encontrar novas jazidas de granitos ornamentais.

De acordo com a coloração, os "granitos" são classificados em vermelho, marrom, amarelo, azul, verde, preto e cinza. A sua coloração é devido principalmente à cor dos minerais constituintes e da alteração intempérica. Geralmente, são preferidas as rochas de granulometria grossa com textura equidimensional sem orientação, isto é, típica textura granítica. Entretanto, em certos casos, são preferidas as rochas com fenocristais ou porfiroblastos orientados. A Fig. 7 apresenta o diagrama a-b (sistema Lab) dos principais "granitos" coloridos, que representa as cores quantitativas dos "minerais coloridos".




Fig. 6 - Diagrama explicativo de processo de formação do granito anorogênico (tipo A) durante o evento de colisão continental, segundo Motoki & Vargas (2000).





Fig. 7 - Diagrama a-b (sistema Lab) das cores dos principais "granitos" coloridos. As siglas representam respectivamente: Itu - Granito Vermelho Itu (álcali feldspato granito); Mesquita - Granito Mesquita (nefelina sienito); Bragança - Granito Vermelho Bragança (álcali feldspato granito); Caldas - Granito Marrom Caldas (álcali feldspato sienito); Bahia, Granito Azul Bahia (sodalita sienito); Real - Granito Verde Real (charnockito). As análise de cores foram baseadas no método segundo Motoki, et al. (2000), com o auxílio adicional de novos softwares, Wilbur e Oville.



Os "granitos" vermelhos têm esta coloração devido ao feldspato alcalino. A rocha representativa deste tipo, o Granito Vermelho Itu (álcali feldspato granito, campo 2) é composto de mais de 60% de feldspato alcalino, 35% de quartzo e pequena quantidade de biotita e outros minerais (Fig. 8A). As pedreiras estão presentes nos Municípios de Itu e Campinas, SP. Esta rocha de ótima qualidade é comercializada com preço superior a US$ 800,00 por metro cúbico. Existe uma rocha similar, o Granito Vermelho Capão Bonito (álcali feldspato granito 2, Capão Bonito - SP), porém, a cor do feldspato alcalino é ligeiramente mais clara. O Granito Vermelho Bragança Paulista (sienogranito 3a, Bragança Paulista - SP) não é tão abundante em feldspato alcalino, porém, a sua cor é mais vermelha do que rosa. O Granito Amêndoa (sienogranito 3a, Itu - SP) é destacado por fenocristais de feldspato potássico de cor de rosa (Fig. 8B).

A operação comercial da maioria dos "granitos" marrons foi iniciada nas últimas décadas. O Granito Marrom Caldas (álcali feldspato sienito 6*, Caldas - MG) é composto principalmente de feldspato alcalino e não contem quartzo.

Os "granitos" amarelos são representados pelo Granito Ouro Velho (monzogranito 3b, Rio de Janeiro - RJ), que se encontra também na forma de pequenos corpos tabulares, como diques. A parte não alterada desta rocha é de cor cinza de baixo valor econômico, entretanto, torna-se amarelo devido ao hidróxido de ferro originado da desintegração intempérica da biotita (Fig. 9). O Granito Juparaná é um gnaisse ornamental cuja cor amarela é originada pelo mesmo processo intempérico.



A


C


E
B


D


F

Fig. 8 - Superfície polida de principais "granitos" ornamentais: A) Granito Vermelho Itu; B) Granito Amêndoa Itu; C) Granito Azul Bahia; D) Granito Preto Tijuca; E) Granito Mesquita.; F) Granito Cinza Andorinha. O tamanho da fotografia em escala real é 7 x 4cm.



Fig. 9 - A cor amarela causada pela alteração intempérica do granito. A parte inferior do bloco quadrado no centro da fotografia, que corresponde a borda do matacão, se tornou amarela (escura), contrastando com a cor cinza na parte superior (clara).



Granito Verde Ubatuba (charnockito, Ubatuba - SP) é o "granito" ornamental representativo da cor verde. Certos produtos são caracterizados pelos porfiroblastos orientados de feldspato alcalino de tamanho grande, até 10cm de comprimento. Apesar da cor verde escura, a composição mineralógica não é máfica mas félsica, sendo que, o quartzo e os feldspatos possuem a cor verde. Recentemente, estão aparecendo em várias localidades do Brasil as rochas ornamentais granulíticas de cor escura. O Granito Verde Tunas (álcali feldspato sienito 6*, Tunas - PR) ocorre na borda de corpo intrusivo sienítico do Cretáceo, caracterizado pelo feldspato alcalino de cor verde.

O Granito Azul Bahia (sodalita sienito, Itajú do Colônia, Itapetinga, Santa Cruz da Vitória, Itarantina - BA) está dominando o mercado dos "granitos" azuis (Fig. 8C). A rocha mãe é um nefelina sienito gnaisse de cor cinza. A sodalita, a que se atribui a cor azul, é formada pela transformação da nefelina através do metassomatismo por fluído com cloro no final do Precambriano. Os corpos nefelina sieníticos tem forma lenticular de cerca de 500m de comprimento e 50m de largura, encaixados por paragnaisses com contato tectônico. Na área da rocha encaixante paragnáissica, estes se encontram espalhados em uma extensão de 100km com configuração paralela. O aspecto visual desta rocha é muito heterogêneo, desde a fase de baixo teor de sodalita com textura similar a granito, de valor em torno de US$ 600 por metro cúbico em preço de pedreira, até a fase de alto teor de sodalita com textura gnáissica de valor superior a US$ 2500. A explotação é realizada tanto nos matacões quanto nos afloramentos.

Os "granitos" pretos são representados pelo Granito Preto Tijuca (quartzo diorito 10*, Rio de Janeiro - RJ). Esta rocha também de um corpo pequeno, de 2km. Apesar de ter a cor preta, esta rocha não é um gabro, mas uma rocha relativamente félsica, e o mineral constituinte principal, plagioclásio, possui a cor escura (Fig. 8D). Após o polimento, aparece a superfície brilhante de cor preta. A lavra era somente de blocos e o preço era alto, em torno de US$ 1000 nas pedreiras, entretanto, a explotação foi interditada há cerca de 10 anos. Para substituí-lo, apareceram as rochas ornamentais de outros estados, tais como o Granito Preto Itaoca (quartzo diorito 10*, Itaoca - ES). No Uruguai, encontra-se o Granito Negro Absoluto. Este é uma rocha máfica verdadeira, sendo dolerito ou microgabro, que ocorre na forma de diques de intrusão no início do Cretáceo.

O Granito Ás de Paus (nefelina sienito 6, Nova Iguaçú - RJ) é o "granito" representativo de cor cinza, caracterizado pelo feldspato alcalino de cor cinza clara, o anfibólio e o piroxênio de cor preta e a nefelina de cor cinza escura (Fig. 8E). O efeito de polimento e a durabilidade não alcançam os do granito e do granodiorito, porém, é muito superior aos dos mármores, sendo uma rocha ornamental mais freqüentemente utilizada no Estado do Rio de Janeiro. O Granito Cinza Andorinha (monzogranito 3b, Mage - RJ) pertence ao mesmo corpo granítico do Granito Ouro Velho, porém, é utilizado a sua parte não alterada de cor cinza com bom efeito de polimento. A fase de granulometria ligeiramente fina e de textura porfirítica é muito preferida (Fig. 8F).



Rochas ornamentais
Retornar
Avançar